Capítulo XLVII - O primeiro espetáculo em Piedade

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    O carro do circo saiu pelas ruas da cidade fazendo a propaganda com alto-falante, dizendo:

    — Hoje será a grande estreia do Circo Rodeio Caçula. Não percam a apresentação da tourada inédita do mundo todo, que terá na arena os valentes toureiros: Mexerica, Coco e o imbatível Carijó, que já toureou com sucesso até no exterior. Portanto, senhoras e senhores, não percam o magnífico show desta noite.

    Aproximadamente as oito horas da noite o circo estava superlotado e um pouco antes das nove se iniciou o espetáculo com os seguintes palhaços: João Tropeiro como o palhaço Pingarrão e seus auxiliares: Buscafogo, Comevinho, Jurumé e Tenvisque.

    Depois da apresentação dos palhaços, Caçula anunciou:

    — E agora, respeitável público, na arena o primeiro touro, valente e perigoso como um selvagem. Ele será toureado por Tabu, Mexerica e o imbatível Carijó.

    Coco ficou na retaguarda para dar apoio a Carijó, no caso de algum imprevisto. Soltaram o primeiro touro, negro como carvão e feroz igual a um leão.

    — Vai Carijó! Valente toureiro, mostre a sua bravura para o grande público desta cidade! – gritava Caçula.

    Nesse momento Carijó abriu sua capa vermelha e o touro veio como um corisco prá cima dele. Só que não houve tempo para o Carijó cantar na arena, como havia dito, porque o touro o jogou em questão de segundos ao pó de serra da arena, com capa e tudo.

    Com as suas possantes patas, pisava fortemente no pescoço do Carijó, quase decepando-o.

    Coco, que estava na retaguarda, puxou o selvagem touro até a sua capa dominando-o, enquanto os outros colegas tiravam Carijó todo ensanguentado para fora da arena. João Tropeiro e um outro artista levaram-no imediatamente ao hospital de Piedade.

    — Quem vai pagar as despesas? – perguntou o enfermeiro enquanto atendia Carijó.

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